A multinacional sul – africana, Sasol, continua a defender que houve mal – entendido no concurso público que fora cancelado pelo Governo por, supostamente, violar a legislação moçambicana
Na semana finda, gestores de topo da petrolífera sul-africana que explora gás natural nos blocos de Pande e Temane estiveram em Maputo. Reuniram-se com, Max Tonela, ministro dos Recursos Minerais e Energia, e depois sentaram-se com a comunicação social para explicar o sucedido.
“Ainda não está em fase de concurso. Estamos a fazer isso para que possamos entender melhor como fazer a melhor escolha. Por isso houve um mal entendimento entre nós, mas o importante é que continuamos a trabalhar, como Sasol, com a nossa agência reguladora para garantir que haja clareza sobre o que estamos a fazer e o que não estamos a fazer, para que todos estejam esclarecidos acerca do caminho a seguir”, disse Bongani Nqwababa, CEO da Sasol.
Contudo, o Governo não concorda com a posição da Sasol. De acordo com Max Tonela, em entrevista ao Jornal O País, na edição do dia 29 do passado mês de Junho, o Executivo não está satisfeito com o desempenho da Sasol em Moçambique e que no último concurso tinha violado a Lei de Petróleo em vigor.
“Neste tipo de oportunidade de negócio deverá ser consultado o Instituto Nacional de Petróleo e priorizado o lançamento de concursos de forma transparente que é para permitir que empresas nacionais possam ter as mesmas oportunidades que as outras, e concorrer”, anunciou o governante e esclareceu que “tivemos umas reuniões há semanas atrás (com os gestores da Sasol) nas quais manifestamos a nossa não satisfação pelo desempenho que o projecto tem estado a ter para o país, sobretudo tratando-se de um projecto que já está há 14 anos”.
Sobre as declarações de Max Tonela, Bongani Nqwababa sugeriu uma análise imparcial ao afirmar que “quando chegamos a este contrato era uma época difícil para Moçambique e os riscos eram bastante elevados, por isso é que se chegou a este contrato. Por isso é bastante inapropriado comparar a vida 14 anos após o contrato para dizer que o preço agora é este, isto deveria ter sido acordado há 14 anos atrás. É importante olhar qual era a situação na altura e elaborar caso de negócio para investirmos a longo prazo.”
Há muito que a contribuição da Sasol na economia nacional é alvo de críticas, sobretudo da Sociedade Civil. O Centro de Integridade Pública (CIP) lançou há anos uma publicação em que mostrava que a Sasol compra 1 Gj (giga joule) de gás natural em Moçambique a 1.44 dólares e revende na África do Sul a 7.00 dólares.

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